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Boa leitura!
Título: O LEÃO VEGETARIANO
Publicado em: 12-02-2010
Autor: Rui Matos  (Saiba mais)
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Média: ~ 5
Total de comentários: 5 (Ler comentários)
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O LEÃO VEGETARIANO

O Leão Vegetariano

Era uma vez um leão vegetariano.

Os seus pais bem se tinham esforçado para lhe ensinar a caçar, mas Liano não quis aprender.

Sempre que cercavam uma presa, Liano avançava para ela mas... só conseguia dar-lhe umas lambidelas amigáveis e nada mais!

À medida que Liano crescia, a esperança dos seus pais em que ele mudasse os seus hábitos alimentares e de caça ia, ao mesmo tempo, diminuindo.

A Real Família selvagem começou a ser alvo de chacota dos outros animais da floresta:

— Onde é que já se viu, um leão vegetariano? É mas é um cobardolas, e a culpa é dos pais, que não o souberam ensinar a ser bravo e feroz como um Rei da Selva deve ser! – diziam.

Um dia o seu pai, farto de tanta gozação, chamou o filho e disse-lhe:

— Liano, és a vergonha da família! O teu comportamento não é digno de um aspirante a Rei da Selva. Esperava que com a idade te modificasses mas, se mudanças houve, foram certamente para pior. Assim, decidimos que deverás abandonar imediatamente a nossa Selva e rumar para bem longe daqui. E lembra-te: só poderás regressar quando e se algum dia decidires ser carnívoro, agressivo, feroz e assassino, como deve ser qualquer leão que se preze!

Liano, com o rabo entre as pernas, abandonou nesse mesmo dia a família, os (poucos) amigos e a selva. Vagueou dias e noites, noites e dias, procurando um lugar onde aceitassem leões vegetarianos.

Depois de muito procurar lá conseguiu encontrar um grupo de leões que o aceitou. Tal como ele, também eles tinham sido escorraçados das selvas da sua infância. Um, por gostar de pintar as unhas; outro por ter um piercing no nariz; outro ainda por usar rabo de cavalo, e outros dois por rugirem com um tom de voz muito agudo...

Durante muito tempo viveu com estes novos companheiros; com eles cresceu e se tornou um leão imponente, com farta juba, garras aguçadas, dentes afiados... e vegetariano.

Liano julgou ser capaz de esquecer a família, os antigos (poucos) amigos e a selva onde nascera.

Mas não.

As saudades, que quase se haviam apagado qual fogo não alimentado, voltaram em força, tornando-se mais importantes do que as suas convicções vegetarianas.

Tomou uma decisão: se para voltar a ver a sua família, os seus (poucos) amigos de infância e a selva onde nascera precisava de ser, nem que por uma só vez, carnívoro, agressivo, feroz e assassino, então ele estava decidido a sê-lo.

Se assim pensou, melhor o fez.

Armou uma emboscada. Escondeu-se atrás dum tronco de uma árvore há muito tombada e esperou.

Esperou que um qualquer animal descuidado por ali passasse para ele o poder atacar, matar e comer. Poderia assim regressar a casa!

A noite caiu. Liano já começava a desesperar com a ausência de possíveis presas quando ouviu um restolhar de gravetos que só podia significar uma coisa: Um animal dirigia-se na sua direcção!

Pelo barulho, cada vez mais intenso, devia ser uma animal corpulento, talvez um tigre.

Liano pensou que para primeira presa lhe podia ter calhado um animal mais pequeno e menos perigoso. Mas agora, paciência, era tarde demais, e nem pensar sequer em desistir.

Indo buscar forças e habilidade aos instintos ancestrais da sua espécie, Liano pulou agilmente quando o animal desprevenido passava em frente do seu posto de vigia e caiu-lhe em cima.

Seguiu-se uma luta brava, feroz, terrível. Liano, apesar das feridas que o seu opositor lhe provocou, venceu aquele combate. Como prémio, comeu a sua carne e roeu os seus ossos. Para recordação, e também como prova da sua façanha, trincou e arrancou uma orelha daquele grande animal que não conseguiu identificar na escuridão.

Ainda o sol não nascera e já Liano percorrera muitos quilómetros de regresso a casa. A estes se seguiram muitos outros, parecendo-lhe ainda mais do que aqueles que o haviam levado para tão longe das suas raízes, há muito tempo atrás.

Finalmente chegou. A selva, pelo que podia ver, estava na mesma. Brevemente estaria no local onde dera os primeiros passos e comera as primeiras... plantas.

Estranhou o enorme silêncio. Normalmente, a esta hora do dia, a algazarra seria grande e o movimento frenético. No entanto, nem movimento nem barulho. Apenas um gemido longínquo, abafado, chegava agora aos seus ouvidos.

Resolveu seguir aquele som lúgubre e assustador.

Ao chegar a uma clareira onde era costume os habitantes da selva reunirem-se para conversar e decidir o seu destino, deparou com um cenário impressionante.

Os animais encontravam-se dispostos em círculos concêntricos em função da sua importância naquela sociedade selvagem.

Os mais importantes desenhavam os círculos mais pequenos, logo mais próximos do centro de todos eles. Os menos importantes desenhavam os círculos maiores, com mais elementos mas mais afastados do centro comum.

À medida que Liano se aproximava dos círculos mais afastados estes, vendo quem ele era, abriam um espaço para que ele pudesse ir andando até ao centro.

Liano pressentiu que algo de muito grave acontecera e, pior do que isso, que devia estar relacionado com alguém da sua família. A expressão de tristeza e de compaixão com que o olhavam e a forma como abriam brechas para a sua passagem deixavam-lhe poucas dúvidas.

Procurando disfarçar o nervosismo e receio que dele se apoderaram caminhou altivo e imponente. Queria causar boa impressão neste seu ansiado regresso.

Quando finalmente atingiu o último círculo, formado pelos seus irmãos e irmãs, percebeu que os seus pressentimentos, infelizmente, estavam certos. A desgraça, qualquer que ela fosse, tinha-se abatido sobre a sua família.

Quando os seus irmãos lhe cederam passagem viu que era a sua mãe o alvo de todas as manifestações de compaixão e solidariedade. Deitada, com os olhos inchados de muito chorar, não o viu chegar.

Liano tocou-lhe levemente com uma pata e ela levantou, vagarosa, a cabeça. Quando viu Liano caiu em novo pranto, logo acompanhado por um coro de uivos e gemidos de todos os animais da selva.

Finalmente acalmou-se e contou a Liano o que acontecera:

— Liano, meu filho, como é bom voltar a ver-te! Pena que o teu regresso aconteça numa altura tão triste para nós. O teu pai, soubemos hoje, morreu numa emboscada que lhe fizeram há alguns dias.

Desta vez foi Liano que chorou a bom chorar. Embora tivesse sido o pai a expulsá-lo da selva, já lhe havia perdoado.

Algum tempo depois, já mais calmo, pediu à mãe para lhe contar como tudo tinha acontecido.

— Não sabemos bem o que se passou. O teu pai tinha partido à tua procura para pedir desculpa por te ter expulsado da selva. Sabes, com o passar dos tempos e com muitos Conselhos Selvagens que fizemos concluímos que ser vegetariano não era um pecado mortal. Percebemos que cada um tem direito a comer aquilo de que gosta, e que ninguém tem nada com isso!

Percebemos também que não é preciso ser agressivo e violento para ser um bom líder e condutor de animais. Que o mais importante é termos princípios e nunca abdicarmos deles.

Infelizmente foi tarde demais. Quando o teu pai estaria quase a encontrar-te foi selvaticamente atacado.

Ninguém terá visto o ataque, mas, a julgar pela violência do cenário que alguns animais depois presenciaram, calcula-se que tenha sido uma matilha de lobos a atacá-lo.

Nas palavras de quem esteve no local, “foram de certeza animais carnívoros, agressivos, ferozes e assassinos” que atacaram o teu pai.

Comeram-lhe a carne, roeram-lhe os ossos e ainda lhe arrancaram uma orelha, provavelmente como troféu.

Liano, ao ouvir estas palavras, desmaiou.

Todos os animais uivaram, juntando-se à sua dor. Julgavam perceber o que lhe ia na alma, mas quem vê focinhos não vê corações, nem mesmo de leões.

FIM

Pseudónimo: Vegetariano


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Comentários Nome: Fernando
Comentado em: 14-04-2010
Nota atribuída à obra: 10
Comentário:
Mto bom ! Final surpreendente.


Nome: bryanmaupassant
Comentado em: 01-04-2010
Nota atribuída à obra: 5
Comentário:
Não é um conto ruim, e, talvez ilustrado com desenhos simples, ficaria muito bem num livro infantil. Você dosou bem o enredo, no entanto, o fato de ser previsível demais, o tornou patético a um adulto. Este é simplesmente um conto "bom", mas que está no lugar errado e sendo lido por pessoas erradas.


Nome: Lindemberg de sousa
Comentado em: 29-03-2010
Nota atribuída à obra: 1
Comentário:
quando comecei a ler o conto já sabia o que ia acontecer! muito ruim este conto,sem surpresas,sem suspense,sem noção.


Nome: berto
Comentado em: 06-03-2010
Nota atribuída à obra: 5
Comentário:
Com todo respeito que o autor merece, mas foi dos piores que já li.


Nome: Midnight
Comentado em: 17-02-2010
Nota atribuída à obra: 8
Comentário:
Adorei,parabéns pelo trabalho!



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